16 de fevereiro

Gravidez em mulheres com laqueadura tubária

6 Comentários »

Postado em O médico

 

A esterilização voluntária (laqueadura tubária nas mulheres e vasectomia nos homens) é uma das causas de infertilidade cada vez mais freqüente em nossos consultórios. Na verdade, existe em nosso país uma cultura de massificação de técnicas como a laqueadura tubária para o controle de natalidade. Mais recentemente, a vasectomia também passou a ser estimulada, por ser um procedimento menos invasivo e requerer cuidados mais simples no pós-operatório.

Como médicos especialistas em reprodução humana, questionamos se todas as implicações da decisão pela esterilização estão sendo discutidas com esses casais. Sempre alertamos que a laqueadura tubária deve ser oferecida como método definitivo de esterilização, com todas as conseqüências decorrentes. Afinal, nem sempre existe possibilidade, caso haja arrependimento futuro, de desfazer cirurgicamente a laqueadura.

Neste sentido deve-se sempre fazer uma orientação completa ao casal sobre a grande variedade atual de métodos contraceptivos reversíveis, cada vez mais eficazes e seguros. Preservativos, pílula anticoncepcional, injeções contraceptivas, adesivos, implantes, dispositivos intra-uterinos (DIU), e outros métodos, podem ser utilizados sem riscos a longo prazo, desde que indicados e acompanhados pelo profissional médico competente. Assim o casal pode fazer de maneira tranqüila o seu planejamento familiar, decidindo quando, e quantos filhos ter, e, caso mudem de idéia futuramente, suspender o método e partir para nova gravidez.

É preocupante constatar que o Brasil tem um dos maiores índices de laqueaduras do mundo, com quase 40% das mulheres em idade reprodutiva esterilizadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O mais alarmante é que muitas mulheres brasileiras optam pela esterilização no auge de sua capacidade reprodutiva, entre 20 e 30 anos. Vários fatores podem levar ao arrependimento futuro, principalmente o desejo de novas gestações diante de um novo casamento, o crescimento ou falecimento dos filhos. 

Por outro lado, a boa notícia é que a medicina reprodutiva oferece cada vez mais sucesso nos tratamentos que buscam nova gravidez em mulheres com laqueadura tubária. Basicamente duas estratégias podem ser utilizadas: a reversão da laqueadura, ou a fertilização in-vitro (FIV).

Para mulheres mais jovens, com menos de 35 anos, sem qualquer outro fator de infertilidade, a salpingoplastia, isto é, a reversão cirúrgica da laqueadura, pode ser uma alternativa para realizar o sonho da nova gestação. O sucesso da reversão envolve fatores como o tipo de lesão causada nas trompas e o comprimento da trompa que permanece após a laqueadura. Pode ser realizada por anastomose tubária microcirúrgica, via laparotomia ou via laparoscopia.  O percentual de sucesso é de até 70% de taxa cumulativa de gravidez, em 1 a 2 anos, dependendo da idade materna. Mas após a reversão, o risco de gestação ectópica, que ocorre na própria trompa, aumenta cinco vezes, podendo chegar a 7%. Em alguns casos, porém, mesmo reconstituídas as trompas não recuperam sua função.

Para mulheres com insucesso na reversão, mau prognóstico (associação de outros fatores de subfertilidade como endometriose ou fator masculino), idade mais avançada, ou que foram submetidas à salpingectomia (retirada das trompas) somente a reprodução assistida pode realizar o sonho de uma nova maternidade. A Fertilização In-Vitro (FIV), também conhecida como bebê de proveta, é a técnica indicada nesses casos. A ovulação da mulher é induzida por medicamentos. Os óvulos maduros são removidos do ovário e in vitro (antigamente na “proveta”) são unidos aos espermatozóides previamente selecionados. Após a fertilização, um ou mais embriões são transferidos para a cavidade uterina da paciente. Em condições ideais – mulheres até 35 anos, formação de bons embriões e padrão laboratorial de excelência – o índice de gravidez pode superar 60% por tentativa.

Infelizmente, enquanto a esterilização é realizada amplamente pelo Sistema Único de saúde, casais com qualquer problema de infertilidade encontram desamparados caso necessitem do sistema público.  Para os casais que ainda não optaram pela esterilização fica o alerta: é importante pensar em outros métodos contraceptivos através do planejamento familiar. A laqueadura é recomendada sem restrições apenas para mulheres com problemas de saúde que tragam riscos elevados a uma nova gravidez.

(artigo também publicado no jornal OPOVO em 22 de janeiro de 2012)

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6 Responses to “Gravidez em mulheres com laqueadura tubária”

  1. FICO MUITO FELIZ EM SABER QUE VOÇES REALISAO O SOHHO DA MULHER QUE DESEIJA SER MAE PARABEIS  GOSTARIA MUITO DE REALISAR O MEU POIS AOS 22 ANOS TIVE MIHHA FILHA E O MEDICO  SIMPLESMENTE NA ORA DA ÇESARIANA ME LAQUEOU ESTOU COM 48 ANO EM UM NOVO CASAMENTO MAIS SOFRO MUITO POIS MEU MARIDO NAO E PAI JA ESTAMOS CASADO A 16 ANO GOSTARIA MUITO DE ALEGRAR OCORAÇAO DELE DANDO A ELE UM FILHO  POR FAVOR ME DE ALGUMA ÇHANÇE OBRIGADO

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Rosanjela,

    Você tem ótimas chances de engravidar novamente através da fertilização in-vitro (FIV) com óvulos doados.

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

  3. josivete disse:

    no meu primeiro casamento tive gemeos,,e com 21 anos fiz laqueadura,,,mais acabei me separando ,,e estou em um outro casamento a nove anos e o sonho do meu amrido é ter um filho ,,mais nao tenho condiçoes de fazer fertilização invitro,,,meu sonho é poder realizar o dele,,,,será que existe algum lugar que eu poderia ser como doadora e em troca realizarem esse sonho

  4. liliane disse:

    Gostaria  muito de ter outro filho se podesse uma menina fiz laqueadura aos 18 anos pois ja tinha 3 filhos e acabei me casando e meu marido nao tem filhos

  5. fabioeugenio disse:

    Oi Josivete,

    Este tipo de tratamento (doação compartilhada) somente é realizado em poucos estados do país, como por exemplo no Distrito Federal.

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

  6. fabioeugenio disse:

    Oi Liliane,

    Existe possibilidade de você engravidar novamente, através de reversão da laqueadura, ou da fertilização in-vitro (FIV).

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

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